quarta-feira, 24 de novembro de 2010

De estética modernista

Essa estória tem início em uma praça vazia exceto por algumas árvores, mas estas só se moviam por causa do vento que, no momento, não existia.
Talvez fosse um feriado, uma cidade fantasma, um local de contaminação nuclear. O fato é que não havia mais ninguém.
Exceto, é claro, o jovem casal que acabara de chegar. Entraram de mãos dadas, os passos lentos de quem quer que o relógio pare.
Sentaram em um dos bancos feitos de flores, folhas e galhos. Por alguns instantes encaravam o chão, o medo de que o excesso de amor transbordasse pelos olhos ou, pior!, pela boca.
Ah, como é lindo o medo dos amantes. Vivem de receios e, no entanto, felizes. A timidez reinava, purificando aquele mútuo sentimento.
Finalmente olharam-se. Não importavam a boca, o nariz, sobrancelhas ou cabelos. Só viam os olhos um do outro e, dessa forma, pensavam ver a alma.
Ele criava coragem para dizer algo tinha medo de destruir o que estava vivendo mas ainda assim precisava falar:
- Anjo, precisamos conversar.
E foi esse o fim; fim da serenidade. Finalmente sentiram a brisa leve que agitava os cabelos dela e as folhas das árvores. Viram e ouviram as pessoas que estavam na praça também. O banco tornou-se frio, duro e cinzento.
Acabara a utopia, era hora de amadurecer. Aprender a construir e manter um amor.


Mariana T. Spezani
24/11/10

4 comentários:

  1. Você e esse seu dom.... hehe Quero te conhecer e conversar por longo tempo.. como que seu eu fizesse um tour na sua essência, pois ela me fascina e me inspira.. Gosto de estar perto de pessoas que me fazem crescer como pessoa, que me fazem viajar com os pés no chão. Gosto das pessoas intuitivas. Paz, sempre!

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  2. Liiiindo Mari!
    Não conhecia esse seu lado poetisa!
    Parabéns mesmo!
    Morreeendo de saudades *-*
    Beijão!

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