quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Mártir

Acabara de sair do tribunal, mais uma causa ganha. Mas Letícia não estava feliz. Tentava manter a postura, a face séria e confiante que aprendera a usar, mas na verdade... Aquela dor dilacerava-a. Como poderia doer tanto assim? Era tão recente e, no entanto, a dor era tão profunda!
Logo hoje que fora trabalhar sem carro... Era mais torturante ainda ir andando pra casa, tentando não chorar ou fazer cara feia. Era uma cidade não muito grande, todos se conheciam, ela precisava manter a compostura! Mesmo que cada segundo a torturasse, heroicamente caminhava até sua casa, não muito longe, mas - ah! - como a dor era profunda!
E como era difícil manter a expressão séria quando tudo que queria era enroscar-se em um canto e morrer... Era desumano sentir tamanha dor!
Faltavam 3 quadras.
Encontrou com uma velha colega de classe, da turma de direito. Tagarela, eternamente feliz. A pessoa errada para se encontrar em um momento como aquele. Deu uma desculpa qualquer e continuou seu caminho. A dor tendia a piorar, dava vontade de chorar.
Duas quadras apenas.
Por mais que fizesse força, não conseguiu. A essa altura, as sobrancelhas franziram e a expressão de intensa agonia tomou conta de seu rosto. Mas como era forte aquela Letícia! Conseguiu recompor-se apenas dois passos após. Tinha de ser policiar, ser disciplinada.
Mais uma quadra e estaria em casa!
Estava dividida entre o instinto de correr e a necessidade racional de manter o ritmo da caminhada. Faltava tão pouco... E doia tanto! Espetadas de agulhas pontiagudas... Facas rasgando-a....
Sim! Chegou, finalmente! Deu um "boa tarde" entredentes para o porteiro, nem mesmo viu se havia recebido cartas. Seu foco era penas o elevador.
Graças a Deus, estava subindo a caminho do 10º andar, seu apartamento! Sonhava com um banho, um descanço no sofá.
Mas ainda não poderia perder a pose, e se encontrasse algum vizinho na saída? Eram tão fofoqueiros e invejosos....
8º... 9º andar... Parecia uma eternidade. Aquele elevador sempre fora tão lerdo assim? Quando finalmente entrou em casa, a irritação por aquela tortura ridícula superava toda a dor.
Trancou a porta, tirou os sapatos e jogou-os no lixo.
Finalmente, livre do tormento!

Mariana T. Spezani

3 comentários:

  1. :S ... O que q é isso? PUTZ
    Mas ta bom... ao menos me deixou ansiosa pelo fim do tormento...!!!!

    Isso já aconteceu comigo!!!

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  2. eu vou te bateeeeeer se continuar me revoltando desse jeito!
    sofri o caminho todo pra casa dela! ¬¬
    AHUAHUHUAUHAUAHHUAHUAUHAHUAUHAHUAUHAHUAUHAUHAHUAHUAUHA
    pensei q a mulher ia se matar qnd chegasse em casa! AAHUAHUAHU

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  3. hahaa
    esperava outro final..

    queria escreever bem asssim hehe

    bjs
    bom final de semana

    http://nossosaltoalto.blogspot.com/

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