domingo, 14 de agosto de 2011

Eu Amo Escrever

Galera, meu conto está concorrendo e pode ser publicado!
Votem em mim?


Eu Amo Escrever

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Um sonho de Natal

- Mamãe! Eu quero usar aquele vestido de princesa que usei no meu aniversário!
Fernanda pulava na cama, enrolada na toalha, apontando pro armário. No alto de seus quatro anos de idade, aquele vestido amarelinho e rodado dava a ela o poder de ser a Bela, da Bela e a Fera.
- Ah, não, Fê - disse sua mãe, entrando no quarto com uma sacola - É Natal, é dia de usar roupa nova! Olha que lindinho esse vestido!
O vestido era novo pra elas, de toda forma. Lívia, mãe de Fernanda, ganhara-o da vizinha de sua patroa, não servia mais na filha dela e, de toda forma, até a mais mesquinha das pessoas sente-se caridosa no Natal.
- Mamãe, esse seu vestido é novo? É muuuito bonito!
Lívia puxou a bainha de seu vestido, na metade da coxa, um pouco pra baixo. Também era novo, pra ela. A filha de sua patroa, de 15 anos fora a antiga dona. Lívia era tão magra que o vestido ficava perfeito nela.
Terminou de vestir sua filha com todo o carinho, era seu mundo, seu maior prazer.
Arrumadas o melhor que podiam, saíram de casa e foram à igreja mais próxima, desde que Paulo se fora, não perdiam uma única Missa. Ele sempre fizera tanta questão... E, desde que se fora, Lívia virara uma Católica fervorosa. Na hora da comunhão, pedia a Deus pela alma de seu marido e pela felicidade de sua filha. Agradecia por sua vida, seu trabalho. Sempre chorava.
Fernanda, olhava a mãe, ajoelhada a seu lado. Esperou ela se levantar, limpou suas lágrimas e disse:
- Mamãe, o biscoito é ruim? Você sempre chora quando o Padre te dá ele.
Lívia sorriu, e respondeu:
- Não, minha filha. É a melhor coisa do mundo! Quando você for maiorzinha vai entender como Deus é bom conosco. Eu te amo, seu pai também te ama demais, ele sempre olha pra você. Feliz Natal, meu anjinho!
Abraçou Fernanda e, em silêncio, as duas choravam. Fernanda chorava pela lembrança de seu pai, fora embora há 6 meses, e ela nunca mais o vira.
Lívia chorava em agradecimento pelos sonhos realizados e por aqueles que ainda viriam a se tornar reais.


Mariana T. Spezani
21/12/2010

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

De estética modernista

Essa estória tem início em uma praça vazia exceto por algumas árvores, mas estas só se moviam por causa do vento que, no momento, não existia.
Talvez fosse um feriado, uma cidade fantasma, um local de contaminação nuclear. O fato é que não havia mais ninguém.
Exceto, é claro, o jovem casal que acabara de chegar. Entraram de mãos dadas, os passos lentos de quem quer que o relógio pare.
Sentaram em um dos bancos feitos de flores, folhas e galhos. Por alguns instantes encaravam o chão, o medo de que o excesso de amor transbordasse pelos olhos ou, pior!, pela boca.
Ah, como é lindo o medo dos amantes. Vivem de receios e, no entanto, felizes. A timidez reinava, purificando aquele mútuo sentimento.
Finalmente olharam-se. Não importavam a boca, o nariz, sobrancelhas ou cabelos. Só viam os olhos um do outro e, dessa forma, pensavam ver a alma.
Ele criava coragem para dizer algo tinha medo de destruir o que estava vivendo mas ainda assim precisava falar:
- Anjo, precisamos conversar.
E foi esse o fim; fim da serenidade. Finalmente sentiram a brisa leve que agitava os cabelos dela e as folhas das árvores. Viram e ouviram as pessoas que estavam na praça também. O banco tornou-se frio, duro e cinzento.
Acabara a utopia, era hora de amadurecer. Aprender a construir e manter um amor.


Mariana T. Spezani
24/11/10

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

As duas faces do homicídio

Pâmela passara a tarde inteira escolhendo o que usaria na festa desta noite. Queria algo que fosse feminino, sem ser inocente. Sexy, sem ser vulgar. Queria classe, beleza, sensualidade. Finalmente, escondido em seu armário, o vestido ideal. Realçaria perfeitamente as curvas de seu corpo, seria impossível não notá-la. A dama inesquecível da noite.
A cor do vestido por si só fazia com que seus cabelos ruivos parecessem ardentes sobre a pálida pele dos ombros Cuidadosamente a maquiagem também foi escolhida, os olhos azuis com um destaque especial.
Estava estonteante. Linda. Não. Era linda, sempre fora e sabia disso! Ela só precisava fazer com que Arthur se lembrasse disso e então ele seria dela mais uma vez.
Pamela e Arthur foram namorados. Ela tinha 14 anos e ele, 15. Ela sempre muito apaixonada. Ele apaixonava todas. Cinco meses após o início do namoro, ele mudou para o Canadá com seu pai, nunca mais se viram.
Eis que a tecnologia, muitas vezes a vilã, merece ser exaltada nessa história. Reencontraram-se em um site de relacionamentos dois dias atrás. Ele, de certo para matar a saudade, convidou-a para sua festa de aniversário. Hoje.
Pâmela tinha absoluta certeza que, após vê-la, os sentimentos que Arthur nutrira por ela na adolescência voltariam à tona. Tudo o que ela sempre quis! O homem de seus sonhos...
Chegou à festa com um leve sorriso estampado nos lábios. Não conhecia nenhum dos convidados e, mesmo que conhecesse, eles eram segundo plano em sua procura pelo amor.
Finalmente encontrou-o, no bar, pegando uma taça de vinho. Eles se abraçaram, ele parecia feliz e surpreso em vê-la daquele jeito. Talvez não imaginara o quanto ela ainda estaria perfeita.
- Pamela! Nossa, quanto tempo, não? Você está absurdamente deslumbrante!
- Obrigada. Você também está maravilhoso! Com toda certeza tem malhado, né? Há dez anos você não tinha todos esses músculos não.
Ele riu, corou um pouco e respondeu:
- Sim, sim. Você fica muito sedentário quando passa o dia todo sentado tentando administrar uma empresa. Mas o que você tem feito? Fez faculdade? Se formou?
- Ora, você tem a honra de estar conversando com a doutora Pâmela, psicóloga. Estou fazendo mestrado agora, minha tese tem relação com o comportamento dos homicidas.
- Uau, que impressionante!
Pâmela sorriu. Uma mulher linda, de cabelos e olhos negros, pele branca, corpo tão perfeito quanto o de Pamela parou do lado de Arthur. Ele estendeu-lhe a taça de vinho que segurava e fez as apresentações:
-  Cecília! Deixa eu te apresentar. Essa é a Pâmela.
Cecília sorriu para Pâmela. Arthur abraçou-a e continuou:
- Pam, essa é a minha esposa, Cecília.
Pâmela sorriu e pediu licença, disse que precisava ir ao banheiro. Estava atônita, chocada, impressionada, bestificada, acabada. Ele era casado? Por vinte minutos permaneceu estática: mãos apoiadas na pia, fitando seu reflexo no espelho. Resolveu que iria voltar para a festa, encarar os fatos, lutar pelo seu homem.
Abriu sua bolsa para retocar o batom. A porta do banheiro abriu e fechou. Havia uma faca na sua bolsa? O que ela fazia lá? Alguém disse "Ei! Olá!".
Pâmela olhou para o lado, Cecília acabara de entrar no banheiro. Estavam sozinhas, ninguém lá fora ouviria nada, a música estava alta.
Ela iria lutar com unhas e dentes. Pâmela olhou para Cecília, sorriu e tomou sua decisão.
O final, caro leitor? Permita que sua imaginação desenhe.

Mariana T. Spezani


Baseado na música Ironic - Alanis Morissette
"It's meeting the man of my dreams
And then meeting his beautiful wife
And isn't it ironic... don't you think?
A little too ironic.. and yeah I really do think..."

domingo, 31 de outubro de 2010

Apenas um poema

Densa escuridão opressora,
em meio a ela existe algo:
Fragrância estranhamente sedutora...
Quando enfim vejo, me calo

Uma pessoa, talvez um animal
de certo está em movimento,
arrasta-se, rasteja em seu insano carnaval
de luzes perdidas, vãos sentimentos.

Simbolismo? Se acaso essa visão 
feita de metáforas
desfaz toda essa confusão oprimida?
Só veja o que a imaginação pintou:

Se o quarto é a alma, escura como a morte
o ser, o que teria sido,
não fosse seu medo de arriscar.
Olhe, adormecido, entorpecido:

O poeta oprimido.

Mariana T. Spezani

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Mártir

Acabara de sair do tribunal, mais uma causa ganha. Mas Letícia não estava feliz. Tentava manter a postura, a face séria e confiante que aprendera a usar, mas na verdade... Aquela dor dilacerava-a. Como poderia doer tanto assim? Era tão recente e, no entanto, a dor era tão profunda!
Logo hoje que fora trabalhar sem carro... Era mais torturante ainda ir andando pra casa, tentando não chorar ou fazer cara feia. Era uma cidade não muito grande, todos se conheciam, ela precisava manter a compostura! Mesmo que cada segundo a torturasse, heroicamente caminhava até sua casa, não muito longe, mas - ah! - como a dor era profunda!
E como era difícil manter a expressão séria quando tudo que queria era enroscar-se em um canto e morrer... Era desumano sentir tamanha dor!
Faltavam 3 quadras.
Encontrou com uma velha colega de classe, da turma de direito. Tagarela, eternamente feliz. A pessoa errada para se encontrar em um momento como aquele. Deu uma desculpa qualquer e continuou seu caminho. A dor tendia a piorar, dava vontade de chorar.
Duas quadras apenas.
Por mais que fizesse força, não conseguiu. A essa altura, as sobrancelhas franziram e a expressão de intensa agonia tomou conta de seu rosto. Mas como era forte aquela Letícia! Conseguiu recompor-se apenas dois passos após. Tinha de ser policiar, ser disciplinada.
Mais uma quadra e estaria em casa!
Estava dividida entre o instinto de correr e a necessidade racional de manter o ritmo da caminhada. Faltava tão pouco... E doia tanto! Espetadas de agulhas pontiagudas... Facas rasgando-a....
Sim! Chegou, finalmente! Deu um "boa tarde" entredentes para o porteiro, nem mesmo viu se havia recebido cartas. Seu foco era penas o elevador.
Graças a Deus, estava subindo a caminho do 10º andar, seu apartamento! Sonhava com um banho, um descanço no sofá.
Mas ainda não poderia perder a pose, e se encontrasse algum vizinho na saída? Eram tão fofoqueiros e invejosos....
8º... 9º andar... Parecia uma eternidade. Aquele elevador sempre fora tão lerdo assim? Quando finalmente entrou em casa, a irritação por aquela tortura ridícula superava toda a dor.
Trancou a porta, tirou os sapatos e jogou-os no lixo.
Finalmente, livre do tormento!

Mariana T. Spezani

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

3:30h

no meio da madrugada desperta
- PLIC PLIC PLIC PLIC -
um barulho a acorda
- PLIC PLIC PLIC PLIC -
o pensamento sonolento confunde
- PLIC PLIC PLIC PLIC -
anda pela casa busca a origem
- PLIC PLIC PLIC PLIC -
de tão irritante atormentação
- PLIC PLIC PLIC PLIC -
gotas ritmadas a cair
- PLIC PLIC PLIC PLIC -
o som segue-a por toda a
- PLIC PLIC PLIC PLIC -
vazia e escura casa
- PLIC PLIC PLIC PLIC -
a irritação só aumenta
- PLIC PLIC PLIC PLIC -
de cômodo em cômodo vagueia
- PLIC PLIC PLIC PLIC -
nada quebrado ou fora do lugar
- PLIC PLIC PLIC PLIC -
enlouquecendo com tamanha tortura
- PLIC PLIC PLIC PLIC -
sai de casa e entra no carro
- PLIC PLIC PLIC PLIC -
dirige pelas ruas o som permanece
- PLIC PLIC PLIC PLIC -
liga o rádio alto está enlouquecida
- PLIC PLIC PLIC PLIC -
ainda ouve fica fora de si
- PLIC PLIC PLIC PLIC -
não aguenta mais a situação
- PLIC PLIC PLIC PLIC -
tampa os ouvidos fecha os olhos
- PLIC PLIC PLIC PLIC -
o carro bate em um poste
- PLIC PLIC PLIC -
a cabeça choca-se contra o volante
- PLIC PLIC -
desmaia e perde muito sangue
- PLIC -
morre sem saber que o amor pingava
e de seu coração gotejava.

Mariana T. Spezani



Ausência de pontuação e uso inadequado de letras maiúsculas e minúsculas foram PROPOSITAIS.